A Lágrima da Lua

A Lágrima Lua
No reino infinito do Universo
Há uma lenda de real beleza:
“A Lua, com ternura e singeleza,
apaixonou-se pelo Sol perverso.”

Mas, não podendo o seu grande anelo,
aborrecer as Leis da Natureza,
Ela foi obrigada, com tristeza,
A não realizar o sonho belo!

E teve ainda um castigo infame:
foi condenada a não amar alguém
nem ser admirada por ninguém.
(embora – às escondidas – eu o ame).

Na sua interminável desventura
Ela passou a caminhar errante:
Vivendo de quadrante em quadrante
Pra esconder a face de amargura.

E ela ficou fria… diferente…
E, se tristonha a sua dor deplora,
a chuva e o orvalho que ela chora
são devorados pelo Sol ardente!

Outrora, lastimando a sina ingrata,
em noite escura estando o céu sombrio
Seu pranto ia perder-se na cascata.

Quando havia seresta, em lua-cheia,
Ela descia a Terra e de relance
Chorava escondido o seu romance
e ocultava as lágrimas na areia.

Um dia, apressada e distraída,
Quando quis voltar ao firmamento,
Talvez por lamentável esquecimento,
Deixou uma das lágrimas perdida!

E certa noite enluarada e bela,
Apareceu, em ressequida folha,
Uma pequena e desprezada bolha
de pranto, luminosa como estrela!

Mas… as asas sutis do esquecimento
Levaram-na pra longe… ela se esconde!
Pois nunca mais souberam para onde
Foi a folha levada pelo vento.

Porém, se causticante o Sol flutua,
Aqui, evaporando-se, ignorado,
Infelizmente eu sou a triste gota
de lágrima deixada pela Lua!…

Uma lembrança de A.Shual….

Nil Tojal, um bardo solitário.

Publicado em: on 3 Novembro ,2006 at 10:54 pm Comentários (5)

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  1. lembrete

  2. lua

  3. gostei

  4. fff

  5. lembrei de ti


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