
No reino infinito do Universo
Há uma lenda de real beleza:
“A Lua, com ternura e singeleza,
apaixonou-se pelo Sol perverso.”
Mas, não podendo o seu grande anelo,
aborrecer as Leis da Natureza,
Ela foi obrigada, com tristeza,
A não realizar o sonho belo!
E teve ainda um castigo infame:
foi condenada a não amar alguém
nem ser admirada por ninguém.
(embora – às escondidas – eu o ame).
Na sua interminável desventura
Ela passou a caminhar errante:
Vivendo de quadrante em quadrante
Pra esconder a face de amargura.
E ela ficou fria… diferente…
E, se tristonha a sua dor deplora,
a chuva e o orvalho que ela chora
são devorados pelo Sol ardente!
Outrora, lastimando a sina ingrata,
em noite escura estando o céu sombrio
Seu pranto ia perder-se na cascata.
Quando havia seresta, em lua-cheia,
Ela descia a Terra e de relance
Chorava escondido o seu romance
e ocultava as lágrimas na areia.
Um dia, apressada e distraída,
Quando quis voltar ao firmamento,
Talvez por lamentável esquecimento,
Deixou uma das lágrimas perdida!
E certa noite enluarada e bela,
Apareceu, em ressequida folha,
Uma pequena e desprezada bolha
de pranto, luminosa como estrela!
Mas… as asas sutis do esquecimento
Levaram-na pra longe… ela se esconde!
Pois nunca mais souberam para onde
Foi a folha levada pelo vento.
Porém, se causticante o Sol flutua,
Aqui, evaporando-se, ignorado,
Infelizmente eu sou a triste gota
de lágrima deixada pela Lua!…
Uma lembrança de A.Shual….
Nil Tojal, um bardo solitário.
lembrete
lua
gostei
fff
lembrei de ti